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3 de Março de 2021

Os acidentes de trabalho mais comuns no Brasil

Joao Badari, Advogado
Publicado por Joao Badari
há 4 anos

OS ACIDENTES DE TRABALHO MAIS COMUNS

João Badari

279.999 OAB SP

Infelizmente mais de 700 mil acidentes no trabalho ocorrem anualmente no Brasil, os mais comuns são: quedas, choques contra objetos, golpes provocados por ferramentas, cortes e fraturas. São distúrbios físicos que afetam diversos trabalhadores, famílias e empresas, seja por negligência da empresa e até mesmo do trabalhador, más condições ou dificuldade em cumprir ou exigir protocolos importantes, como por exemplo o uso do EPI correto. É uma obrigação da empresa exigir que seus funcionários utilizem adequadamente os equipamentos de proteção individuais.

Esta semana fui realizar perícia no local de trabalho, e constatei que os funcionários não utilizavam o óculos de proteção. Indaguei o gerente sobre o motivo, e a resposta foi “eles assinaram um termo que não querem utilizar”. É uma obrigação da empresa exigir o uso, não uma liberalidade do funcionário. Cabe a empresa até mesmo advertir formalmente o empregado pela não utilização.

Portanto, acidentes acontecem em qualquer lugar, a qualquer hora e a qualquer momento.

Gosto de destacar estes exemplos do Blog “Seu Trabalho Seguro”, que podem ocorrer no escritório de uma empresa, bem longe da área operacional.

“1. Um empregado de escritório estava voltando do almoço e ao subir as escadas de acesso escorregou e caiu. Os degraus estavam molhados.

2. Uma estagiária queimou seu braço esquerdo e parte da perna esquerda quando estava desligando uma cafeteira.

3. Um arquivista apanhou um jeito nas costas quando um companheiro caiu sobre elas tentando pegar alguns cartões numa gaveta de arquivo.

4. Uma empregada de escritório tropeçou num fio telefônico exposto e caiu ao solo tendo fraturas.

5. Uma secretária puxou uma cadeira que continha um prego exposto tendo em seu dedo um corte.

6. Um empregado dos setor de serviços gerais teve seu dedo indicador da mão direita dilacerado por uma guilhotina da xerox.

7. Um empregado estava tentando abrir uma janela do escritório. Ele empurrava contra o vidro quando o mesmo quebrou, sofrendo cortes múltiplos nos punhos.

8. Uma recepcionista escorregou num salão de refeições que havia sido encerado recentemente e caiu, causando dores na coluna vertebral.

9. Um empregado estava correndo para um estacionamento da Empresa na ânsia de apanhar o ônibus e ir embora, escorregou-se sofrendo fratura do braço esquerdo.

10. Um empregado deixou um copo de café sobre sua mesa. Quando virou-se para pegá-lo não viu que havia uma abelha dentro da xícara. A abelha feriu seu lábio superior.

11. Um empregado correndo no pátio após o almoço para chegar primeiro e ler o jornal, escorregou-se num paralelepípedo sofrendo fraturas no tornozelo esquerdo.

12. Uma secretária ao sentar-se numa velha cadeira, a mesma não suportou o peso devido suas estruturas apodrecidas e desmanchou. A funcionária teve ferimentos e luxações.

13. Um funcionário quebrou seu joelho ao trombar numa gaveta deixada aberta por seus colegas.

14. A faxineira de idade avançada teve uma parada cardíaca em função de um choque elétrico na fiação da enceradeira, que por algum tempo estava com os cabos expostos.”

Dados do Ministério da Previdência Social, destacam que entre os acidentes de trabalho mais comuns que resultaram em doenças ocupacionais destacam-se as doenças de pele, alergias e irritações. As DORT (osteomusculares), que apresentam comprometimento da coluna e dos membros superiores lideram a lista. Recentemente, percebeu-se um significativo aumento em casos de câncer e distúrbios psiquiátricos nos registros.

A Lesão por Esforço Repetitivo (LER) é a segunda colocada no ranking de doenças ocupacionais, podendo levar o trabalhador à aposentadoria por invalidez.

Também notamos que doenças como a ansiedade, stress e depressão têm sido percebidas com uma frequência cada vez maior nos registros do Ministério da Previdência Social. São muitas vezes ocasionadas pelo excesso de pressão e assédio moral. Há casos, inclusive, em que essas doenças acabam afastando profissionais definitiva ou provisoriamente.

Cabe ao técnico de segurança do trabalho a avaliação de riscos para prevenir desde os acidentes de trabalho. O investimento nesse profissional é menor que os custos financeiros e emocionais acarretados por acidentes de trabalho. Ter um profissional de confiança é investimento para a empresa, não custo, e além do mais estará protegendo seu bem mais valioso: o funcionário.

As empresas devem oferecer EPI específico e de qualidade e com um bom técnico de segurança no trabalho são as primeiras medidas para minimizar riscos. Vamos nos preocupar mais com a segurança de nossos empregados, pois a prevenção é a melhor maneira de evitarmos que estes venham a se acidentar.

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